Mostrando postagens com marcador Lívia Palmieri. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Lívia Palmieri. Mostrar todas as postagens

Dica: Twin Peaks, de David Lynch

|0 comentários

Para quem é fã de mistérios e adora as bizarrices de David Lynch, a série "Twin Peaks" é um prato cheio.
A história se passa na cidade de Twin Peaks, palco do brutal assassinato da jovem Laura Palmer. A trama central gira em torno da investigação do FBI, através do excêntrico agente Dale Cooper, para desvendar o mistério do crime.
No decorrer da história abre-se um leque com diversas intrigas e tudo com o toque lynchiniano: muita esquisitice com humor inteligente. Seja pela direção ou pelo próprio mistério da trama, cada episódio vale a atenção do espectador.
Com duas temporadas e um total de 30 episódios, a série foi criada pelo cineasta David Lynch e por Mark Frost. As duas temporadas de Twin Peaks estão disponíveis para a compra, sendo que a primeira contém extras interessantes, como o episódio piloto e uma tele aula de como falar de trás para frente, técnica usada em uma das cenas da série. Vale a pena conferir!

Minha vida de cachorro

|0 comentários
Seu Jakcs: era assim que todos chamavam um dos guardas da Prefeitura Municipal de Sertãozinho. Trabalhava dia sim, dia não, pois revesava o turno com outro guarda.
Todos os dias em que era a vez dele de guardar a portaria da Prefeitura, nós batiamos um papinho enquanto eu esperava minha mãe que, para variar, vivia atrasada para me buscar.
Em seis meses de estágio na assessoria de imprensa de lá, eu já tinha amizade com asaxineiras, telefonitas, motoristas e também com os guardas, especialmente com seu Jacks que, por ser muito falante e bem humorado, sempre enggambelava o tédio da espera.
Ele era um senhor de uns 55 anos, casado e com uma filha. Eu não me recordo o nome das mulheres que faziam parte da vida dele, mas jamais vou esquecer o nome do cachorrinho que acompanhou a infância daquele mineiro: Xolinha, era o nome dele.
Eu, que sempre gostei de cachorro, iniciei a conversa: "Seu Jacks, você tem cachorro?" E com o sotaque amineirado ele respondeu: "Então, minha amiga Lívia, não tenho, não! Apanhei muito por causa de um cachorrinho e decidi que jamais teria outro. Da muito trabalho!"
Indaguei o guarda o motivo das palmadas e foi então que ele me explicou toda a sua meninice com Xolinha, na Bahia.
Ganhou o cãozinho de um vizinho, muito seu amigo, quando tinha 12 anos de idade. A cadela dele havia dado cria de 6 filhotinhos e o menino o presenteou com um deles.
A família toda se afeiçoou ao cachorro, especialmente o pai, que defendia o bichinho de tudo a ponto de atribuir culpa ao filho de certos infortúnios que aconteciam com o cão, como atropelamentos, sustos e tombos de caminhão de mudança.
"A primeira surra que meu pai me deu por conta do cãozinho, Lívia, foi quando fui passear com ele na praia. Tava brincando com Xolinha quando um jipe da polícia bateu nessa parte aqui do cachorro (apontando para o braço). Quase passou por cima do bixinho!"
Seu Jacks contou que o pai fez com que ele cuidasse do cachorro em tempo quase que integral. "Eu dava polenta para ele todos os dias."
Depois o tempo passou e o cachorrinho voltou às boas. Acompanhava seu Jacks até a escola todos os dias e depois retornava para casa, até que um dia seu Jacks levou outra surra do pai e dessa vez o garoto não teve um mínimo de culpa. "Um militar, por pura maldade, deu um tiro no chão para assustar o pobrezinho do cachorro."
Ai veio o caminhão de mudança. Quando seu Jacks e a família ia da Bahia para Minas Gerais (onde conquistou seu marcado sotaque), Xolinha caiu do caminhão de mudança. O tombo foi feio, Xolinha e seu Jacks sairam bem machucados, mas ambos se recuperaram.
Depois seu Jacks veio para São Paulo e o cãozinho ficou com o irmão. "Dos seis cãezinhos, Lívia, só o meu durou tanto tempo, tamanho era o cuidado que eu tive com ele. Era um vira lata que viveu 17 anos. Sabe como ele morreu, Lívia?". "Como, seu Jacks?" "Morreu de velhice."

Histórias Douradas de Chico Buarque

|1 comentários

Para quem gosta de música e de uma boa leitura, a dica é "Histórias de Canções - Chico Buarque", de Wagner Homem.
O autor, amigo de Chico há anos, traz em meio às letras das músicas, curiosidades de como elas foram compostas. Músicas encomendadas, mulheres fantásticas e amigos de bar são algumas das inspirações de Chico Buarque.
Wagner Homem, além de autor do livro, também é editor do site oficial de Chico (www.chicobuarque.com.br), que ganhou por três anos seguidos o concurso de websites corporativos Ibest.

Mensagens do Dia

|0 comentários
Na última quinta-feira, dia 29 de abril, a livraria Paraler do Ribeirão Shopping recebeu um evento badalado: o lançamento do livro "Mensagens do Dia".

A obra reúne pensamentos de Marcelo Gasparini, cantor da dupla Maurício & Marcelo e filho do ex-prefeito Welson Gasparini; ilustrados com fotos da publicitária Melina Faustino.

O lançamento contou com a presença de políticos, socialites, universitários das Faculdades COC, e, é claro, representantes da imprensa e das colunas sociais.

Foi servido um delicioso e refinado buffet de frios, com queijos, castanhas, tomate seco, torradas, patês e canapés. Além de refrigerantes, água, cerveja e um saboroso vinho branco frisante.

Marcelo e Melina contaram que o projeto do livro vem de longa data. Há muito tempo planejavam uma publicação de pensamentos combinados com fotografias e sentem-se extremamente felizes e realizados pela concretização da ideia.

Após a recepção dos convidados em um primeiro momento, os anfitriões fizeram um pequeno discurso de agradecimento, seguido pela sessão de autógrafos. A fila à espera das assinaturas nos livros foi grande, e certamente valeu a pena, pois os autores fizeram questão de produzir dedicatórias personalizadas para cada pessoa.

O evento começou às 19h30 e durou até por volta das 23h00.

Capela Sistina em 360°

|0 comentários
Está disponível na internet uma imagem da Capela Sistina. Muito mais que apenas uma fotografia, que possui apenas um plano, a tecnologia digital possibilita que o internauta conheça a capela por inteiro. Com certeza uma imagem virtual não é tão fascinante quanto ver a obra pessoalmente, mas é interessante, pois você pode aproximar, afastar e girar a imagem, “conhecendo” os quatro cantos da Capela.

Confira: http://www.vatican.va/various/cappelle/sistina_vr/index.html

Mostra de Hélio Oiticica no Itaú Cultural

|0 comentários
Tropicália, de Hélio Oiticica

O Itaú Cultural abriga a exposição “Hélio Oiticica – Museu é o Mundo”, sobre o carioca Hélio Oiticica. Como não poderia ser diferente devido à história do artista, a exposição faz um convite aos visitantes de interagir com as obras.
A exposição chegou no momento certo, já que a importância histórica do artista tornou-se mais evidente quando um incêndio destruiu cerca de 30% de suas obras, em outubro passado, na residência do irmão.
A organização da mostra é bem pertinente e faz todo o percurso de Oiticica: no primeiro andar do prédio, os visitantes vão encontrar pinturas e relevos, nos dois andares seguintes estão as obras mais famosas do artista, os parangolés e instalações.
Os curadores da exposição, Fernando Cocchiarale e César Oiticica Filho respeitaram as anotações deixadas por Hélio Oiticica, que expressavam a intenção do artista de que sua obra deveria ser recriada sempre que necessário.

Saiba mais: Helio Oiticica foi um dos representantes do Neoconcretismo, movimento artístico que teve início no final da década de 1950, ao lado de Ferreira Gullar, Lygia Clark, Lygia Pape, entre outros.

Sobre a exposição:
A mostra “Hélio Oiticica – Museu é o mundo” está no Itaú Cultural (Avenida Paulista, 149, São Paulo - SP), de terça à sexta-feira, das 9h às 20h e aos sábados e domingos, das 11h às 20h, até dia 16 de maio de 2010. A entrada é franca.

Acompanhe um vídeo-montagem com imagens das obras do artista:

Onde os Fracos Não Tem Vez

|0 comentários

Enquanto caça, Llewelyn Moss, personagem vivido por Josh Brolin, encontra, no meio de corpos caídos e um carregamento de heroína, uma maleta com dois milhões de dólares. Ele sabia que ao pegar o dinheiro seria perseguido, mas não contava que fugir de Anton Chigurh seria uma tarefa tão difícil. Contratado pelo chefe da operação criminosa, Chigurh, interpretado pelo espanhol Javier Bardem, tem o objetivo de transformar o caçador em caça. Com uma arma de ar comprimido como instrumento de trabalho e um corte de cabelo peculiar, ele deixa um rastro de sangue por onde passa.


A caçada é marcada pela frieza do caçador. Javier Bardem soube de uma forma magistral passar para o público toda a carga de sentimento, ou a falta dele, que o personagem possui.Além do gato Chigurh e o rato Moss, a história tem o xerife Bell, interpretado pelo veterano Tommy Lee Jones, que transmite para o espectador, apenas com o olhar, toda a apatia de um ser humano cansado e acomodado com a vida, sem perspectiva de alcançar melhores resultados. Apesar de não participar diretamente de nenhuma das ações, ele é peça fundamental para o western contemporâneo.


É em um ambiente hostil, como a fronteira do Texas com o México, que a história se desenvolve. Tão seco como a vegetação local são os personagens em suas atitudes. Para enfatizar essa hostilidade e rigidez, os irmãos Coen produziram um filme sem trilha sonora. O longa, aparentemente, trata apenas de uma perseguição entre um assassino psicopata e um caçador assustado, mas também mostra a nostalgia de um xerife ao relembrar como antigamente era possível proteger a sociedade sem ter que, necessariamente, derramar sangue.


Os fracos não tiveram mesmo vez para Ethan e Joel Coen, que foram felizes na escolha do elenco. Brolin, Jones e Bardem formaram o trio perfeito, com atuações fortes, mas o destaque fica, é claro, com o espanhol. Seu talento já conhecido de filmes anteriores como “ Carne Trêmula”, de Pedro Almodóvar, e “Mar adentro”, deAlejandro Amenabár, apenas foi confirmado em “Onde os Fracos não têm vez”. O longa ganhou o Oscar de 2008 como melhor filme, direção, roteiro adaptado e ator coadjuvante para Bardem. Quem assistir ao filme vai notar que de coadjuvante Bardem não tem nada, e merecia ter sido indicado como ator principal. “Onde Os Fracos Não Têm Vez” certamente vai se tornar um clássico ao lado de filmes como “Era Uma Vez No Oeste”, de Sérgio Leone, e “Os Imperdoáveis”, de Clint Eastwood.

Confira uma das cenas do Longa:

Cem reais: momentos de glória e de clausura

|0 comentários
No meio de tantas outras notas, eu vivia. Todas nós estávamos bem guardadas e organizadas dentro de uma carteira antiga, que por sua vez era disposta no sossego e no frescor de uma parte de um guarda-roupa cheia de caixas de sapato, todas com tampas, uma ao lado da outra. Nada fora do lugar! Nosso dono era Leandro, um rapaz de 26 anos, que além de colecionar cédulas, colecionava também moedas e as guardava em uma caixinha de madeira talhada de flores.
Quem ajudava com a coleção eram amigos que viajavam para o exterior, pais de antigas namoradas que trabalhavam em bancos, pais de novas que, por boa vontade, doavam as moedas poupadas por décadas em cofrinhos de madeira em formato de coração por seus pais.
Às vezes Leandro exibia a coleção para alguns visitantes e não havia um que não se espantava: “Nossa, como você consegue não gastar essa nota de 100 reais?”. Apesar de ser normal que ele não gastasse (afinal de contas, aquilo era uma coleção) eu ficava toda orgulhosa, já que era a única que causava esse frisson entre as pessoas. Tudo bem que a maioria se interessava mais pelas moedas antigas e pomposas, mas e daí? Elas já não valem mais nada...
Eu nem me importava de ser a última nota do monte, já que a ordem era as cédulas internacionais, depois as nacionais que não valiam mais, depois as que valiam - da menor para a maior - e eu era a maior!
Até que um belo dia o pai de Leandro fez um acordo com o rapaz: “Filho, o carro é seu, mas a partir de agora é você quem coloca a gasolina.” Leandro ficou todo feliz, pois agora poderia ir para onde quisesse sem ter o problema de pedir para usar o meio de locomoção da família. Mas foi pego de surpresa quando percebeu que o combustível ia embora feito a água que corria da mangueira da vizinha.
E para complicar ainda mais, ele usava o carro para ir viajar todos os dias para uma cidade próxima na qual fazia mestrado.
O dinheiro que tinha não era muito, e gastava consideravelmente todo final de semana. Era a cerveja na sexta-feira, o jantar e o motel com a namorada no sábado, o cinema no domingo, sem contar as coisas inevitáveis de gastar – tinta para impressora, remédio de dor de cabeça, pedágios para as viagens diárias, presentes de aniversário, e, e, e... Nossa, quanta coisa!-
Poupar ele não conseguia, mas afinal ele ia poupar em quê? Pode até soar arrogante para quem não tem nada, mas tudo o que ele gastava era imprescindível para um jovem de 26 anos dentro dos padrões nos quais sempre viveu.
Ele esperava maior liberdade, poder sair nas cidades vizinhas, voltar a noite na hora que bem entendesse... Mas o que aconteceu foi o oposto, Leandro tinha que economizar na gasolina...A partir de então ele começou a procurar moedinhas nos cantos do sofá e também no troco do lanche dos finais de noite.
Eu o ouvia reclamar às vezes, mas ficava aliviada, já que ele jamais pensaria em me gastar – Poxa, eu era a nota mais importante no meio das demais... Era legal ter força de vontade e não gastar cem reais que estavam ali ... Parados de bobeira em uma carteira que cheirava a mofo!
Só que me enganei. E o que eu mais temia aconteceu. Não, não é só uma mulher de quarenta anos que tem medo de ser substituída por duas meninas de vinte! Eu temia ser por cinco!! E foi como o esperado... Ele me trocou por cinco de vinte! E ainda completou: “É mais fácil para gastar”
Aí fui pulando de mão em mão. Sabe como é! Ninguém ficava comigo por mais de uma semana. Foi horrível para mim, nenhum ser humano se apegou e quis me guardar para sempre!
Até que um dia (nem tão belo assim) fui parar na carteira de um velho avarento, e sabe o que ele fez? Colocou-me dentro de um banco, em um maldito cofre! O velho morria de medo de ser mandado embora do emprego e guardava qualquer dinheiro extra que viesse.
Você deve estar pensando qual o motivo da minha reclamação, já que agora eu consegui o que queria - ficar guardada para sempre -, mas não era esse o destino que eu sonhava para mim! Eu queria ser exibida, ser a única no meio de muitas, quiçá ser plastificada e pendurada no mural debaixo da tv do quarto do Leandro... Mas aqui no banco eu sou apenas mais uma, uma sardinha nadando junto com um cardume de tantas outras notas de cem!